quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Escola e a Violência


Luiz Fernando Paes


Existe realmente uma separação entre espaço público e o privado?
Qual o limite de cada um desses espaços?
Será a cultura da individualismo que gera violência ou é a violência que gera individualismo?

Podemos pensar em público e privado dentro de uma casa? E no planeta como as pessoas vêem essas diferenças?

Um país deve se ocupar somente de seus desafios ou as preocupações que deterioram o planeta devem ser pensados em conjunto, pois são de responsabilidade de todos, como a degradação ambiental, crises econômicas mundiais?

Usando a lógica que o problema de uma cidade é de todos e que as soluções devem envolver todo o coletivo.

As soluções encontradas para diminuir a violência contemplam medidas individuais ou de pequenos grupos, como por exemplo, as cidades se transformam em ilhas, rodeadas de muros, os condomínios fechados que, como na idade média, os senhores feudais se fecham em seus castelos magníficos.

Nesta mentalidade individualista, o espaço público é de todos, mas ninguém cuida, não é um lugar prestigiado, pode se fazer dele o que quiser jogar lixo, quebrar. Enquanto que o espaço privado é valorizado, conservado.

A cidade do primeiro mundo ainda valoriza os espaços coletivos: preferência aos pedestres no transito, respeito aos ciclistas, muitos quilômetros de ciclovias, transporte público de altíssima qualidade, prédios públicos muito bem conservados, escolas do governo de alto nível. Não existe escola para rico, escola para pobre, hospital bem equipado para rico, e hospital para pobres.

O que é mais triste neste pais: o que é público e tem qualidade é ocupado por pessoas de alto poder aquisitivo, como universidades hospitais de referencia.

Neste contexto, a violência toma contornos sutis, onde aquele que pode pagar mais tem privilégios e sente mais protegido, e usam de seu prestigio para morar em lugares onde o poder público esta mais presente, como policiamento das ruas, limpeza publica, entre outros.
Assim algumas pessoas se fazem diferentes pela sua forma de vestir, morar, estilo de vida, num mundo a parte onde conviver com a diversidade não faz parte de seus princípios. Todos somos iguais, mais alguns são mais “iguais “ que os outros.





quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ESPORTE, EDUCAÇÃO E POLÍTICA.



    Luiz Fernando Paes
A importância dada pelos órgãos federais, a falta de uma política voltada para a promoção do esporte dentro da escola deveria ser olhada  com atenção.

Quando observamos a quem são destinados o dinheiro públicos  para o esporte, vindo de empresas federais como Petrobrás, Caixa Econômica Federal,Banco do Brasil e entre outras, sabemos que o esporte profissional é que se beneficia de todos os recursos.

Provavelmente o governo faz isso pensando nos dividendos políticos que o esporte profissional trás, via mídia, a sua imagem. Esta forma de pensar não atende aos interesses do esporte no Brasil e de tantos professores de educação física no Brasil que acreditam ser o esporte um grande promotor do crescimento do ser humano, e as escolas um celeiro de grandes talentos.

Nos paises desenvolvidos o investimento em esportes nas escolas e universidades, representa  o sucesso de seus estudantes em várias modalidades e em muitas competições nacionais e internacionais.

A cultura do esporte em nossas escolas,  pode melhorar muito com mais investimentos, e até como forma de melhorar o rendimento escolar.

O planejamento para o esporte nos próximos anos está bem comprometido com a copa do mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016. Neste sentidos vão ser  destinados recursos financeiros imensos, construção de estádios para mais de 40.000 pessoas, como é o caso de Manaus, onde o público que vai aos  estádios não chega a 2.000. 

É de se perguntar e o esporte de base os bairros mais carentes, tão necessitados de  esporte, lazer e cultura?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Economia e educação


Luiz Fernando Paes
Vivemos um bom momento na economia. 
As condições parecem propicias para a realização das aspirações dos brasileiros, como melhoria das condições de vida de todos.
Porém em uma análise mais realista, nos tem preocupado com o exagero nos números e a percepção que a classe política esta tirando muitos dividendos políticos da situação, empresários aproveitam para aumentar seus lucros.
Isto nos faz refletir uma coisa; por acaso a pessoas mais maduras  já não viram este filme no passado?
Por exemplo, os 50 anos em 5 da era JK, o milagre econômico, do governo militar.
Não podemos achar que as coisas resolverão por si, que o momento mais favorável da economia será o suficiente para instaurar uma situação de desenvolvimento para todos nós.
Esta é a oportunidade, talvez única, para fazermos da educação a ferramenta para um desenvolvimento sustentável. Como? Conhecermos aqueles candidatos que pensam a educação como algo favorável à construção de um país mais humano e digno, não apenas com  estatísticas para ser usado para a eleição ou reeleição.
Simplesmente podemos deixar estes “ventos favoráveis nos encaminhar a um porto seguro,  ou continuarmos a deriva, rumo as tempestades, nos colocando como instrumentos para salvar os países ricos. 
Seremos sempre o país da esperança, onde tudo parece que vai mudar, mas nunca muda e 
onde a lógica parece ser: devemos mudar as coisas desde que essa mudança seja para que as coisas continuem como sempre foram?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Gravidez planejada, precoce, indesejada ou inoportuna:verdade,mito ou tabu?


Luiz Fernando Paes

Há uma grande indefinição quando se refere a gravidez, talvez pela falta de um estudo mais completo ou uma reflexão do que leva uma mulher a engravidar.
A gravidez toma contornos ainda mais imprecisos quando se trata da gravidez na adolescência.
Apenas uma vez uma estudante adolescente disse me que planejava uma gravidez com o namorado. O namorado e ela conversaram sobre o assunto, pensaram nas conseqüências de uma gravidez nas condições em que estavam, e assumiram as responsabilidades pertinentes à paternidade e maternidade naquele memento da vida.
Este fenômeno tão complexo tem mostrado que é muito difícil precisar o que faz com que as meninas engravidem em uma período de vida em que seria de descobrir e explorar o mundo, estudar, passear, conhecer pessoas novas.
Nem mesmo definir o termo para uma gravidez das meninas é tarefa fácil:
Quando a gravidez da menina é chamada de precoce, esta denominação não contempla a realidade de vida das famílias cujas mães também tiveram seus filhos ao treze ou quatorze anos, e tratam a gravidez na tenra idade como algo comum entre as mulheres da família.
Falar em gravidez indesejada demanda de uma complexidade considerável, visto que ser impossível mensurar o desejo feminino de ser mãe, diante da subjetividade de tal situação, via interpretação sociológica, antropológica, psicológica ou biológica.
Onde se encontra o desejo de ser mãe? Mesmo uma menina que diz que não gostaria de ser mãe e fica perplexa ao saber que esta grávida, pode ter desejado esta gravidez inconscientemente.
E vale a pergunta: quantas mulheres planejaram sua gravidez?
Quando nos referimos a gravidez como inoportuna talvez alcancemos uma maior possibilidade de ampliar a discussão, mas temos que fazer a pergunta: a gravidez é inoportuna para quem? Para a adolescente, a família ou para a sociedade?

A gravidez e a educação familiar

Como educar os filhos para que tenham uma vida sexual prazerosa e responsável.
Não se trata de educar os filhos para dizerem não ou sim ao sexo, nem os meninos, nem meninas. Mas para que eles saibam que, na hora do sim, eles é que serão responsáveis por isso, por cuidar de si e do parceiro. Ensina-los que sexo é uma das melhores coisas da vida. Mas como tudo na vida, tem o compromisso com a responsabilidade pela liberdade, assumir conseqüências.
Ensiná-los a serem responsáveis pelos seus atos e assumir na prática, conversar com o companheiro, explicar a importância de se relacionar com alguém que lhe respeite, não se expor a riscos e violências.
É importante proporcionar condições aos filhos para que façam escolhas que contribuam para seu amadurecimento e das pessoas com quem eles se envolvam.
E os meninos? Porque nenhuma mãe ou pai explica ao filho que ele também tem o direito de dizer não? Que ele, assim como as meninas, não precisam fazer sexo para provar alguma coisa? Que eles também tem obrigação de se cuidar e se respeitar? A partir do momento em que se ensina a uma menino que o valor de um homem não é medido pela quantidade de meninas que ele consegue, dá para esperar que ele aprenda a dizer não.

Gravidez e gênero

As preocupações relacionadas a gravidez geralmente estão voltadas às meninas. Comumente são elas responsabilizas ou "culpadas" quando o assunto é gravidez. Falta aos meninos mais atenção nesse sentido. Eles são estimulados a conquistar o maior numero de meninas, mas quando alguma coisa não vai bem em seus relacionamentos, ficam apavorados e confusos , sem saber como lidar com a situação.
Uma questão importante é referente aos dados do IBGE mais recentes, demonstram que os jovens são as principais vitima da violência, a maior causa de morte destes meninos. Com uma expectativa tão curta de vida, eles esperam engravidar suas namoradas o mais rápido possível, na esperança de terem a continuidade de sua vida nesta criança.

As meninas são educadas diferentes dos meninos. Elas ainda não se sentem preparadas para dizer não quando os meninos querem fazer sexo sem camisinha ou cedem a pressão dos meninos, mesmo sem estarem dispostas ao relacionamento sexual.
Uma outra questão importante é o fato, de alguns pais forneceram camisinha ao filho, e nunca fala a menina sobre sexo ou leva-a a uma visita ao ginecologista.

Construção da identidade

Gravidez também pode ser explicada como uma das formas de meninas e meninos tentarem ser reconhecidos como adultos e terem um espaço na sociedade.
A informação quanto aos métodos anticoncepcionais não basta para diminuir a incidência desse problema.
Acompanhamento de cada jovem pela família, pela escola, ou por programas de institucionais (centro de saúde, assistência social), contribui para que o jovem se sinta mais “fortalecido” na hora de fazer suas escolhas.

A gravidez não acontece somente nas classes sociais mais humildes

Um tabu comum diz que muitas dessas adolescentes que engravidam vivem em uma família desestruturada onde não encontram carinho.
O fenômeno da gravidez aparece mais nas classes sociais onde as meninas por razões religiosas e sociais, acabam na maioria das vezes, assumindo a gravidez com a ajuda da família. Nas classes sociais mais privilegiadas, a família exerce forte pressão para que não prossiga a gravidez,e os dados nunca são revelados sobre estas meninas,já que elas não são encaminhadas para o serviço público e sim para clinicas particulares, o que dificulta o acesso aos dados sobre elas.

Atração pelo risco, curiosidade sobre o ato sexual e preocupação se seu corpo pode engravidar
O excesso de valorização da sexualidade nas crianças, prática essa que se intensificou com os programas para o público infantil no Brasil no final dos anos 89 e nos anos 90, deixou suas marcas naquela geração de crianças e nas futuras.
Falta de maturidade para assumir que esta tendo uma vida sexual
Por mais que o sexo seja tratado como um assunto comum na atualidade, repressão, o medo dos familiares, faz com que muitos adolescentes tenham uma vida sexual clandestina. Não assumindo sua vida sexual, também não assumem os cuidados necessário para que tenham qualidade e saúde sexual.
Ainda a muito que se estudar sobre as questões da gravidez na adolescência, por se tratar de um fenômeno que envolve muitas causas e demanda politicas públicas voltadas para os jovens e a contribuição das famílias e da sociedade.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Qual o papel de cada um?


  Luiz Fernando Paes
Qual é o papel de cada um. Pais questionam a respeito das tarefas ou do rendimento dos filhos ou ainda da postura do professor, mas poucos  assumem a tarefa de ensinarem a seus filhos que a postura do professor  ou da escola é necessária e que a conduta do professor não  é para agradar a todos, que mesmo querendo ter um bom relacionamento com ele,o que é possível de acontecer, mas é a postura profissional que deve prevalecer, por ser o professor um adulto e preparado para desempenhar sua função. 
 Um trabalho eficiente demanda apoio de todos, e  é necessária que o filho, mesmo não aceitando com facilidade, precisa  envolver-se com o trabalho escolar, assim como o estudante deve ser ouvido e incentivado a expor seu ponto de vista. 
Sem o aval dos pais ou responsáveis fica difícil um aprendizagem produtiva, onde o estudante pode aproveitar do apoio incondicional de seus pais, para justificar  sua falta de compromisso com seu estudos, afinal de contas aprender da trabalho, requer tempo e dedicação que nem sempre ele esta disposto a  dedicar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Freinet

Célestim Freinet
Apresento hoje uma cópia na integra de um texto de Márcio Ferrari, muito interessante e didático publicado no site da Escola da Abril: O educador francês desenvolveu atividades hoje comuns, como as aulas-passeio e jornal classe, e criou um projeto de escola moderna e democrática
01/07/2011 20:52
Texto Márcio Ferrari

Foto: Freinet se identificava com a corrente da Escola Nova, anti-conservadora
Freinet se identificava com a corrente da Escola Nova, anti-conservadora

Frases de Célestin Freinet:

"A democracia de amanhã se prepara na democracia da escola"

"Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos"


Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na região da Provence, sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet (que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha 25 Alunos por Classe.
No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.

Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los mais férteis.

Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino como do aprendizado em si. "Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais", diz Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores de Freinet.

Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola Nova, que "não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho". Seu objetivo declarado é criar uma "escola do povo".

Importância do êxito

Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. "Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo", diz Rosa Sampaio.

Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente, uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia - assim, o histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

Livre expressão

Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento se baseou em minuciosa observação científica.

Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação - e, além disso, em geral a serviço apenas das elites. "Freinet colocou professor e alunos no mesmo nível de igualdade e camaradagem", diz Rosa Sampaio. O educador não se opunha, porém, às aulas teóricas. A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio, que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida "lá fora". "É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola", escreveu Freinet.

A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).

Cooperação sim, manuais não

Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais "técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção (para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto do que chamou de tateamento experimental - a atividade de formular hipóteses e testar sua validade - e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.

Para pensar

A utilização de técnicas desenvolvidas por Freinet, em particular as aulas-passeio e os cantinhos temáticos na sala de aula, não significam por si só que o professor adotou uma prática freinetiana. É preciso lembrar que o educador francês criou tais recursos para atingir um objetivo maior, que é o despertar, nas crianças, de uma consciência de seu meio, incluindo os aspectos sociais, e de sua história. Quando você promove atividades em sua escola, costuma ter consciência de como elas se inserem num plano pedagógico mais amplo?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O desafio do mundo moderno


Luiz  Fernando Paes

Vislumbrar um mundo novo onde a tecnologias resolveria nossos principais problemas de ordem material , social ou educacional, logo se mostrou uma utopia.  
Quanto mais ocorrem os avanços tecnológicos, principalmente no processamento de dados, mais complexo ficam  o mundo e as relações humanas.
Houve avanços, mas  estes geraram muitos desafios que estão longe de chegar a uma solução ideal.
Com relação  à educação, o acesso  aos dispositivos de comunicação e de dados, como o que mais se popularizou, o celular com conectividade a internet, cria nos usuários, principalmente estudantes, uma sensação de  aquisição de conhecimento que fica superficial e não atende a suas reais necessidades, que fica apenas na informação rasa, sem comprometimento com um saber  estruturado e coeso.
No mundo atual, a tecnologia tem sido mais um aparato de controle sobre a vida das pessoas do que propriamente sobre a essência de sua liberdade e desenvolvimento de uma consciência coletiva, a serviço de um ser humano mais solidário e preparado para resolver os desafios  da atualidade.
A responsabilidade da escola é  essencial no que diz respeito a ensinar as crianças, adolescentes e mesmo adultos, como selecionar informações, sites, para que  elas realmente sejam útil a sua vida.
Mais do que em tempos anteriores a internet, os adolescentes precisam de ajuda para suas escolhas. Um exemplo claro disso é que no convívio com os estudantes, uma pergunta que faço sempre é qual sua fonte de informação sobre sexo.
 A resposta é rápida de grande parte deles: Internet via filme pornô, que antes acontecia de forma bem reduzida e limitada por algumas fotos, visto por poucas pessoas por ser de difícil acesso, como ir até a banca e pagar.
Hoje há um impacto muito grande, pois em pouco tempo a indústria de filmes eróticos se apropriou desse mercado milionário, colocando uma variedade imensa de material, mesmo de parafilia, que com um clique na tecla, de milésimos de segundos, coloca uma quantidade imensa de comportamentos sexuais,que em pouco tempo atrás na história, era inimaginável .
A importância da  preocupação com esse tipo de material na formação de crianças e jovens é que seu desenvolvimento intelectual não tem a maturidade para entender as cenas de sexo explicito, não só entre pessoas, mas de uma gama infinita de variações, onde o sexo comum, tradicional, tornou-se desinteressante para a maioria delas.
O compromisso da indústria pornográfica é bem claro e a quem ela serve todos sabemos.
Nossa preocupação é qual o significado do sexo  é transmitido para os jovens nestes filmes, principalmente como a mulher é tratada neste  contexto e em qual palco se encena  o que deveria ser uma riqueza da vivência sexual que pode haver  entre as pessoas quando o sexo é tratado de forma responsável.
Não podemos dizer que  o que é ensinado e aprendido nessas cenas,  visto  por jovens  e até mesmo crianças, seja aquele desejado por pessoas que almejam um mundo onde as relações humanas sejam comprometidas com a felicidade do outro, com seu bem estar e respeito mútuo.   
 Pensar que sem orientação de um adulto responsável, vão se preparar os pequeninos e jovens para uma sexualidade saudável é um engano.
Se os pais se acham despreparados para atender as demandas educacionais de seus filhos e a escola acredita que não é sua função orientar seus alunos para além dos muros da escola, quem educará  esses seres humanos para a vida?  Afinal de quem é a bola?