segunda-feira, 25 de julho de 2011

Freinet

Célestim Freinet
Apresento hoje uma cópia na integra de um texto de Márcio Ferrari, muito interessante e didático publicado no site da Escola da Abril: O educador francês desenvolveu atividades hoje comuns, como as aulas-passeio e jornal classe, e criou um projeto de escola moderna e democrática
01/07/2011 20:52
Texto Márcio Ferrari

Foto: Freinet se identificava com a corrente da Escola Nova, anti-conservadora
Freinet se identificava com a corrente da Escola Nova, anti-conservadora

Frases de Célestin Freinet:

"A democracia de amanhã se prepara na democracia da escola"

"Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos"


Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na região da Provence, sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet (que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha 25 Alunos por Classe.
No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.

Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los mais férteis.

Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino como do aprendizado em si. "Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais", diz Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores de Freinet.

Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola Nova, que "não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho". Seu objetivo declarado é criar uma "escola do povo".

Importância do êxito

Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. "Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo", diz Rosa Sampaio.

Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente, uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia - assim, o histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

Livre expressão

Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento se baseou em minuciosa observação científica.

Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação - e, além disso, em geral a serviço apenas das elites. "Freinet colocou professor e alunos no mesmo nível de igualdade e camaradagem", diz Rosa Sampaio. O educador não se opunha, porém, às aulas teóricas. A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio, que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida "lá fora". "É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola", escreveu Freinet.

A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).

Cooperação sim, manuais não

Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais "técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção (para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto do que chamou de tateamento experimental - a atividade de formular hipóteses e testar sua validade - e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.

Para pensar

A utilização de técnicas desenvolvidas por Freinet, em particular as aulas-passeio e os cantinhos temáticos na sala de aula, não significam por si só que o professor adotou uma prática freinetiana. É preciso lembrar que o educador francês criou tais recursos para atingir um objetivo maior, que é o despertar, nas crianças, de uma consciência de seu meio, incluindo os aspectos sociais, e de sua história. Quando você promove atividades em sua escola, costuma ter consciência de como elas se inserem num plano pedagógico mais amplo?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O desafio do mundo moderno


Luiz  Fernando Paes

Vislumbrar um mundo novo onde a tecnologias resolveria nossos principais problemas de ordem material , social ou educacional, logo se mostrou uma utopia.  
Quanto mais ocorrem os avanços tecnológicos, principalmente no processamento de dados, mais complexo ficam  o mundo e as relações humanas.
Houve avanços, mas  estes geraram muitos desafios que estão longe de chegar a uma solução ideal.
Com relação  à educação, o acesso  aos dispositivos de comunicação e de dados, como o que mais se popularizou, o celular com conectividade a internet, cria nos usuários, principalmente estudantes, uma sensação de  aquisição de conhecimento que fica superficial e não atende a suas reais necessidades, que fica apenas na informação rasa, sem comprometimento com um saber  estruturado e coeso.
No mundo atual, a tecnologia tem sido mais um aparato de controle sobre a vida das pessoas do que propriamente sobre a essência de sua liberdade e desenvolvimento de uma consciência coletiva, a serviço de um ser humano mais solidário e preparado para resolver os desafios  da atualidade.
A responsabilidade da escola é  essencial no que diz respeito a ensinar as crianças, adolescentes e mesmo adultos, como selecionar informações, sites, para que  elas realmente sejam útil a sua vida.
Mais do que em tempos anteriores a internet, os adolescentes precisam de ajuda para suas escolhas. Um exemplo claro disso é que no convívio com os estudantes, uma pergunta que faço sempre é qual sua fonte de informação sobre sexo.
 A resposta é rápida de grande parte deles: Internet via filme pornô, que antes acontecia de forma bem reduzida e limitada por algumas fotos, visto por poucas pessoas por ser de difícil acesso, como ir até a banca e pagar.
Hoje há um impacto muito grande, pois em pouco tempo a indústria de filmes eróticos se apropriou desse mercado milionário, colocando uma variedade imensa de material, mesmo de parafilia, que com um clique na tecla, de milésimos de segundos, coloca uma quantidade imensa de comportamentos sexuais,que em pouco tempo atrás na história, era inimaginável .
A importância da  preocupação com esse tipo de material na formação de crianças e jovens é que seu desenvolvimento intelectual não tem a maturidade para entender as cenas de sexo explicito, não só entre pessoas, mas de uma gama infinita de variações, onde o sexo comum, tradicional, tornou-se desinteressante para a maioria delas.
O compromisso da indústria pornográfica é bem claro e a quem ela serve todos sabemos.
Nossa preocupação é qual o significado do sexo  é transmitido para os jovens nestes filmes, principalmente como a mulher é tratada neste  contexto e em qual palco se encena  o que deveria ser uma riqueza da vivência sexual que pode haver  entre as pessoas quando o sexo é tratado de forma responsável.
Não podemos dizer que  o que é ensinado e aprendido nessas cenas,  visto  por jovens  e até mesmo crianças, seja aquele desejado por pessoas que almejam um mundo onde as relações humanas sejam comprometidas com a felicidade do outro, com seu bem estar e respeito mútuo.   
 Pensar que sem orientação de um adulto responsável, vão se preparar os pequeninos e jovens para uma sexualidade saudável é um engano.
Se os pais se acham despreparados para atender as demandas educacionais de seus filhos e a escola acredita que não é sua função orientar seus alunos para além dos muros da escola, quem educará  esses seres humanos para a vida?  Afinal de quem é a bola?


 

terça-feira, 17 de maio de 2011

A criança e o movimento slow

Luiz Fernando Paes
A palavra inglesa slow tem a tradução de lento, devagar. É também um termo usado para expressar uma nova forma de viver e gerenciar o tempo das pessoas. Talvez nem seja tão novo assim, somente um resgate às coisas boas do passsado sem abrir mão do conforto do mundo atual.
As pessoas muitas vezes fazem coisas  sem refletir muito, em uma velocidade cada vez maior, tem baixíssima tolerância  para "curtir" cada momento da vida", tudo parece que está fora do tempo "atrasado".
O movimento slow que acontece principalmente em cidade italianas, tem muito a nos ensinar sobre como estamos vivendo nos tempos atuais, como estamos educando nossas crianças.
Podemos ensinar nossas crianças de forma diferente do que proprõe os meios de comunicação, em sua maioria, tão envolvidos com o lucro e sem compromisso com a sua formação, uma educação mais humanitária que valorize o ser e não o ter.
Pequenas e simples coisas que fazemos podem ser o diferencial para conquistarmos a felicidade que tanto almejamos. Valorizar os momentos em família, limitar o uso de televisão, computador e internet,incentivar a leitura, promover cada vez mais as artes e a música, contemplar a natureza enfim desacelerar nossos pensamentos e nosso modo de agir.

Segundo Augusto Cury, estamos vivendo  em um mundo doente, que encarcera nossas emoções, e nosso modo de viver tem levado as pessoas  a ter uma síndrome que ele chama de SPA- Síndrome do Pensamento Acelerado,  Dr. Augusto Cury,Médico, Psicoterapeuta e Escritor Brasileiro,tem por sintomas mente agitada, acordar cansado, sofrer por antecipação, não contemplar o belo, se concentrar pouco, ter esquecimento, irritabilidade e outros. Segundo o escritor  Augusto Cury, a SPA ou Síndrome do Pensamento Acelerado também atinge crianças e adolescentes que são  diariamente sobrecarregados com excesso de atividades e informações através de tvs, e outros meios. fica uma sugestão para conhecer melhor esta síndrome:
httpv://www.youtube.com/watch?v=RxHjVZdk3xg&feature=related

domingo, 8 de maio de 2011

Violência sexual e a criança

Luiz Fernando Paes
Pesquisas indicam que de cada 10 casos de violêcia sexual,  sete acontece na própria casa da vítima e o pai ou padrasto aparece como o principal agressor. A preferência do abusador é por meninas de 10 a 15 anos, mas há casos de abusos com crianças recém-nascidas.
Ficar atento aos sinais físicos e emocionais de crianças pode salva-la do sofrimento ou até da morte.
A criança que sofre abuso precisa de tratamento pscológico por um longo tempo. Muitas vezes ela desenvolve dificuldades em relacionar-se com outras pessoas e em falar de seus problemas. Um vazio de sentimentos pode leva-la a não ter amigos ou namorado(a), não ter interesse em viajar ou mesmo sair de casa.
Mesmo depois de cessar o abuso, ela terá dificuldade para vivenciar emoções, mesmo as mais profundas, como casar, ter filhos. Enfim, uma negação de sentimentos, como defesa do que lhe aconteceu no passado.
Pode acontecer da criança desenvolver problemas de saúde decorrentes da impossibilidade de lidar com o sofrimento do abuso, como uma gastríte ou depressão.
Acriança abusa pode apresentar uma necessidade compulsiva por comida ou negar-se a comer. Nesses casos esse comportamento  pode ser uma forma de denúncia ao seu sofrimento.
Quando a criança abusada já tem uma certa maturidade e percebe indiferença da mãe quanto ao seu sofrimento, caso ela entenda que mãe a saiba o que se passa,  desenvolverá nela um sentimento de abandono e ausência por não te-la defendido de seu agressor.
Muitas pessoas  acreditam que manter um diálogo franco e honesto com os pequenos, tirar sua dúvidas,   ainda é o meio mais eficaz para prevenir abusos contra eles e não conheço nenhuma pesquisa científica que indique que uma boa orientação desperte o interesse sexual mais cedo nas crianças.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Educação Infantil no Brasil: cem anos de espera Assistencialismo perdurou por quase um século e só perdeu força quando a Constituição de 1988 tornou o segmento um dever do Estado e fortaleceu seu caráter educativo

Gustavo Heidrich (novaescola@atleitor.com.br)

A biblioteca do escritor e professor Mário de Andrade, na segunda metade da década de 1930, guardava uma coleção que pareceria estranha para quem visitasse a casa do intelectual das letras naquela época: um acervo com mais de mil
eção quando foi responsável pela criação de parques infantis na cidade de São Paulo em 1935, ocasião em que ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura da prefeitura da capital paulista. Neles, o escritor promovia concursos de desenhos e incentivava outras atividades artísticas entre os pequenos.

"Mário de Andrade foi um dos primeiros pensadores da Educação Infantil no país a acreditar na valorização das produções das crianças e a colocar a atividade artística como um dos fundamentos desse segmento", explica a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Márcia Gobbi.

Apesar do interesse e esforço isolados de educadores como Mário de Andrade, a Educação Infantil levou muito tempo para se desvencilhar do caráter que a pontuou desde o início: a assistência social. Essa demora foi de quase um século - o primeiro jardim da infância foi inaugurado em 1895, em São Paulo. Mudanças estruturais começaram somente na década de 1970, quando o processo de urbanização e a inserção da mulher no mercado de trabalho levaram a um aumento significativo na demanda por vagas em escolas para as crianças de 0 a 6 anos. Como não havia políticas bem definidas para o segmento, a expansão de instituições de Educação Infantil nessa época foi desordenada e gerou precarização no atendimento, feito, em geral, por profissionais sem nenhuma formação pedagógica.

Em 1975, o Ministério da Educação começou a assumir responsabilidades ao criar a Coordenação de Educação Pré-Escolar para atendimento de crianças de 4 a 6 anos. Ainda assim, o governo continuou promovendo, em paralelo, políticas públicas descoladas da Educação. Em 1977, foi criada, no Ministério da Previdência e Assistência Social, a Legião Brasileira de Assistência (LBA), com o objetivo de coordenar o serviço de diversas instituições independentes que historicamente eram responsáveis pelo atendimento às crianças de 0 a 6 anos. Essas instituições eram divididas em: comunitárias, localizadas e mantidas por associações e agremiações de bairros; confessionais, mantidas por instituições religiosas; e filantrópicas, relacionadas a organizações beneficentes. A LBA foi extinta em 1995, mas o Governo Federal continuou a repassar recursos para as creches por meio da assistência social.

Nesse mesmo período, se intensificou uma separação entre o atendimento nas creches, de 0 a 3 anos, visto como algo destinado às camadas populares, e a pré-escola, segmento voltado para as classes média e alta. “Essa é uma separação que funda a Educação Infantil no país. As creches, totalmente financiadas pela assistência social, eram vistas como uma alternativa de subsistência para crianças mais pobres e estavam orientadas para cuidados em relação à saúde, higiene e alimentação. Já a pré-escola passou a ser encarada como a porta de entrada das crianças ricas na Educação”, analisa a ex-coordenadora de Educação Infantil do MEC, Karina Rizek.

A família a escola e homossexualidade

Luiz Fernando Paes
A iniciação no mundo da prostituição infantil e na adolescencia é construída em boa parte, pelo preconceito e desinformação sobre as várias formas de se viver a sexualidade.
O despreparo da família para entender o desenvolvimento sexual e a grande carga de preconceito da sociedade leva muitas vezes, o adolescente 'as ruas.
Com o início da adolescência, o menino começa a expressar sua sexualidade de forma mais explícita.
A falta de conhecimento sobre a homossexualidade por parte do público em geral, faz do adolescente uma vítima, carregada de medo e culpa, como se esta fosse uma escolha de viver a sua sexualidade.
Sabemos que hetero e homossexualidade não é opção, é manifestação do desejo humano, independende  do ambiente, país, família.
Procurar "de quem é a culpa" não contribui em nada. Temos que viver a vida lembrando que somos seres complexos, de um imenso potencial.
É na família ou na escola que  a criança ou o jovem vai deparar com uma aceitação de seu modo de ser, ou sofrer rejeição.
Infelizmente na escola ele pode ser motivo de piadas e agressões por parte dos colegas, ou encontrar um educador ou  educadora que oriente a turma sobre sexualidade,respeito e dignidade, de uma forma imparcial e de forma científica.
Em casa os desdobramentos pode ser de aceitação e apoio, mas é muito comum, com a chegada da adolescência, o menino ser colocado para fora de casa, ou ser pressionado a isso, por brigas insistentes e violência domiciliar.
Na rua poucas escolhas lhe resta. Geralmente encontra uma cafetina que lhe dará abrigo vestuário, maquiagem, cobrando um valor bem alto, tornarndo-o dependente dela.
Muitas vezes  de prostituição esta ligado ao crime organizado, expondo-o  a um risco grande.
 A vida  nas ruas pode  levar-lo ao contato com as drogas, podendo tornar-se um consumidor destas substâncias.
Outra preocupação com estes jovens são as implicações da "montagem" do menino, que é a mudança deste corpo masculino para uma "aparência" feminina e sensual. É uma mudança dolorosa e perigosa, um caso de saúde pública. O contorno feminino é conseguido por meio de silicone, impróprio para uso humano, é aplicado no peito e outras partes do corpo, pela própria cafetina ou alguém que ela indique, com seringa de grosso calibre, feito em casa e com poucos cuidados com a saúde.
A transformação do adolescente pode acontecer também por meio de hormônios femininos,  chamada de  hormônioterapia, sem qualquer acompanhamento médico, aplicado por cafetinas denominadas "bombadeiras".
Assim podemos constatar a importância de se discutir de forma séria e responsável na escola as questões relacionadas com a temática da sexualidade.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Jogo cooperativo Infantil

Luiz Fernando Paes

Preparar uma aula diversificada é sempre um desafio, mas trás bons resultados.
Brincadeiras com toques leves ajudam a criança a ficar mais calma. Por exemplo "passa anel"," coelhinho na toca" .
Com o tempo as crianças acostumam-se a tocar uns nos outros sem perceber, o que previne a violência, pois muitas delas só  conhecem o contato de forma agressiva, de algum familiar ou  colega.


Com uma brincadeira podemos ensinar a importância da regra em nossa vida, e por que devemos cumpri-la.
É possível construir juntos a regra, inventar novos jogos e brincadeiras .
A dinâmica,  brincadeira ou jogo serve também para observar quem são os líderes, quem tem mais dificuldade para cumprir regras e outros.
A brincadeira é uma oportunidade do educador trabalhar as questões de Gênero, papel masculino e feminino e tantos  outros, quando se discute com a criança cada elemento ou personagem da brincadeira.
 É importante que se dê preferência aos jogos cooperativos, pois estes ensinam à criança a impôrtancia de viver em uma sociedade mais igualitária e fraterna, enquanto que o jogo competitivo reforça um modelo de vida que só tem levado as pessoas ao stress e a frustração.
Algumas vezes a criança pode se sentir exposta, por não conseguir participar ou por não entender a regra da brincadeira, por isso conta muito a sensibilidade da/do educador ajuda-la, para que ela se sinta integrada e feliz.
A criança que nunca gosta de participar da atividade coletiva, precisa de uma atenção especial, pode ser simplesmente vergonha, timidez, mas vale um olhar especial.

Entende-se que o jogo, por ser uma ação voluntária da criança, um
fim em si mesmo, não pode criar nada, não visa a um resultado final.
O que importa é o processo em si de brincar que a criança se impõe.
Quando ela brinca, não está preocupada com a aquisição de
conhecimento ou de qualquer habilidade mental ou física. (
KISHIMOTO,2000, p. 24).Além  dos jogos que aprendemos quando criança, existem muitos livros que tratam do assunto. Na Internet também é possível selecionar coisas incríveis como discoverykids.com.br. Vai uma boa dica da Revista Escola, on line da Editora Abril:
http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/jogos-brincadeiras.shtml.
Bom trabalho.